O que é Oratória? A origem da arte e técnica de falar em público.

Quando alguns ouvem falar de oratória logo pensamos em algo erudito, antigo e até ultrapassado, mas a bem da verdade é que desde os tempos antigos até os dias de hoje falar em público é um grande diferencial competitivo em um mundo onde a comunicação é cada vez mais exigida.

Surgimento da Oratória: A oratória surgiu na Sicília no século V a.C., e foi criada para os advogados na época que agiam tentando rever os bens e as propriedades de seus clientes tomadas pelos tiranos da época.

Mesmo nos primórdios da cultura grega, falar bem em público era tão importante quanto realizar grandes proezas. Uma das imagens mais antigas  da sociedade grega mostra Telêmaco, filho de Odisseu, discursando na Assemb
leia de Ítaca a fim de se livrar dos pretendentes da mãe, Penélope, e obter uma embarcação para procurar o pai desaparecido.

Até o século -VI, mais ou menos, a arte de falar adequadamente em público era vista como dom natural e privilégio de poucas pessoas afortunadas, em geral pertencentes à aristocracia. Com o fim das tiranias e a instituição das assembleias e conselhos populares nas póleis, porém, o cidadão comum passou a reconhecer a importância de dominar bem a oratória.

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Com o advento dos sofistas, a oratória recebeu grande impulso e, poucos anos depois, chegou ao apogeu em Atenas, lugar especialmente propício aos discursos políticos e judiciários, graças à efervescência cultural posterior às guerras médicas. Na segunda metade do século -V a eloquência era já considerada capacidade que podia ser adquirida e desenvolvida através de estudo e treinamento, ou seja, do estudo da retórica.

O período que vai de -415 a -323 assinala a época áurea da oratória ática; distingue-se uma primeira fase, que vai até mais ou menos -360, época dos primeiros sucessos militares e diplomáticos de Felipe II da Macedônia, e uma segunda, que vai de -360 a -323.

Os eruditos alexandrinos estabeleceram, durante o Período Helenístico, um cânone de dez oradores áticos, cuja obra em grande parte chegou até nós: Antífon (-480/-411), Lísias (-459/-380), Andócides (-440/-390), Isócrates(-436/-338), Iseu (-420/-350), Ésquines (-398/-322), Hipérides (-390/-322), Licurgo (-390/-324), Demóstenes (-384/-322) e Dinarco (-360/-290).

Compõem a oratória:

– A forma como o orador se apresenta;

– Sua postura;

– Sua imagem;

– Poder de argumentação.

A história da Oratória desde a antiguidade

Como já falamos a arte oratória, fundamentada em princípios disciplinados de conduta, teve origem na Sicília, no século V a.C., através do siracusano Corax e seu discípulo Tísias. Existe uma anedota sobre o aprendizado de Tísias. Quando Corax lhe cobrou as aulas ministradas, Tísias recusou-se a pagar, alegando que, se fora bem instruído pelo mestre, estava apto a convencê-lo de não cobrar, e, se este não ficasse convencido, era porque o discípulo ainda não estava devidamente prepa
rado, fato 
que o desobrigava de qualquer pagamento. Eles publicaram um tratado, ou technê, que não chegou aos nossos dias, mas sobre o qual vários autores se referiram. O próprio Aristóteles atribuiu-lhes o mérito de iniciar a retórica. Corax escreveu esta obra para orientar os
advogados que se propunham a defender as causas das 
pessoas que desejavam reaver seus bens e propriedades tomados pelos tiranos. Era um tratado prático, cujos ensinamentos se restringiam à aplicação nos tribunais. Segundo Corax, o discurso deveria ser dividido em cinco partes: o exórdio, a narração, a argumentação, a digressão e o epílogo. 

OS GREGOS

Na Grécia Antiga, por volta de 336 a.C., Aristóteles escreveu sobre oratória utilizando o termo retórica. Durante centenas de anos, a retórica foi base de toda formação cultural humana.

Os gregos sempre valorizaram tremendamente a palavra, apreciando a eloqüência natural mais do que qualquer outro povo da antiguidade. Para comprovar esta tese estão os brilhantes discursos da Ilíada e as fervorosas palavras que os comandantes militares dirigiam às tropas ao iniciar um combate.

Porém, foi com o surgimento da democracia que o interesse pela eloquência e oratória cresceu de forma explosiva. Isto porque o povo (onde não se incluíam as mulheres nem os escravos e nem os forasteiros) passou a poder reunir-se em assembléia geral (uma espécie de supremo órgão legislativo, executivo e judicial) com o fim de discutir e decidir todo tipo de questão. Tais reuniões eram públicas e livres, nas quais todos podiam participar e votar. Logicamente, os que melhor se expressavam através da fala (discurso) eram também os mais influentes na sociedade.

Com o advento da democracia, a oratória foi ensinada por professores: “Com o início da democracia na Grécia, provavelmente em 446 a. C., os próprios cidadãos começaram a fazer seus próprios discursos, promovendo, assim, uma necessidade de conversação, muito grande. Nas assembléias do povo se destacavam as pessoas que falavam melhor e com isso muitos começam a procurar ajuda. Surgiram, assim, os primeiros professores de arte de expor razões, os conhecidos sofistas.” Portanto, aquele que almejasse ter influência nas assembléias, teria de possuir extremos dotes oratórios. Além de que, os conflitos entre cidadãos dirimiam-se diante de tribunais formados por jurados escolhidos por sorteio. Aquele que com palavras persuasivas conseguisse prender a atenção dos jurados e convencê-los da sua posição, era vencedor do pleito. A oratória tornou-se assim a base fundamental, não somente àqueles que aspiravam à política (carreira mais normal para os cidadãos livres daquela época) mas também a todos os cidadãos que, em seus negócios e atividades agrícolas ou artesanais, seguidamente encontravam-se envoltos em acusações e julgamentos a respeito de infrações ou delitos, contratos, impostos, etc. Poucos porém eram capazes de falar em público de modo eficaz. Os menos hábeis na oratória tinham de solicitar socorro aos mais preparados. Surge então uma classe profissional de especialistas na arte de bem falar e escrever.

Tais especialistas, por vezes transmitiam ensinamentos de retórica, outras representavam pessoalmente os seus clientes nos pleitos ou emprestavam-lhes discursos prontos para serem pronunciados como se fossem escritos por eles mesmos. Mais tarde, a experiência oratória foi reunida em máximas e preceitos que remetiam à obtenção do êxito no tribunal ou na assembléia. A oratória foi reconhecida então como uma técnica e por volta do séc. V a.C. surgiam na Sicília os primeiros tratados de retórica, atribuídos a Kórax e Tísias, embora confinados praticamente à oratória forense e ressaltando truques para o advogado recorrer e vencer em juízo.

O verdadeiro fundador da técnica retórica, todavia, foi o siciliano Górgias Leontinos, que surgiu em Atenas, no ano de 427 a. C., e logo causou a maior sensação, devido aos brilhantes e floreados discursos dirigidos aos Atenienses. Muitos, fascinados por sua oratória, tornaram-se discípulos, fazendo de Górgias o primeiro professor de retórica de que há conhecimento.

Para Górgias, a oratória precisava excitar completamente, precisava seduzir a platéia. Não interessava a ele uma eventual verdade objetiva, mas tão somente o convencimento do público. Para causar impacto, o orador deveria levar em conta a situação de comunicação, a oportunidade do lugar e do momento, para adaptar-se ao caráter do público. E, com linguagem brilhante e poética, cheia de efeitos, figuras e ritmos, encantar a todos.

Górgias foi quem introduziu uma oratória de exibição ou de aparato, sem obediência a fins políticos ou forenses, orientada principalmente para realçar o orador.

Aristóteles estudou os tratados de retórica legados de Górgias e seus discípulos, resumindo em uma só obra a qual procedeu à compilação das técnicas retóricas. Ele considerou tais tratados pouco satisfatórios, porque não iam além do recurso aos truques legais e às formas mais absurdas de suscitar a compaixão dos jurados. “Faltava uma apresentação séria e mais abrangente das regras e dos métodos da retórica, especialmente, os mais técnicos e eficazes, aqueles que se baseiam na argumentação.”

Aristóteles, ao chegar em Atenas, encontrou Isócrates como o mais famoso e influente Mestre de retórica e era dono de escola mais bem sucedida que a Academia de Platão, da qual era rival na formação dos futuros homens políticos da cidade. Isócrates escreveu a obra Contra os sofistas. Nela, acusava os sofistas de perderem o seu tempo e roubarem o dos demais com sutilezas intelectuais sem qualquer relevância para a vida, para a política ou para a ação. Da mesma forma, não concordava com os retóricos formalistas por insuflarem em seus alunos a falsa idéia de que a aplicação pura de regras ou truques pode levar ao sucesso. Isócrates defendia uma formação integral, partindo de um caráter adequado, incluindo o estudo tanto da temática política como da técnica retórica em toda a sua extensão. Só assim se formaria cidadãos virtuosos e preparados para o êxito político e social. Isócrates chamava essa oratória por excelência de Filosofia. Segundo ele, é graças à retórica que o injusto se livra do castigo, quando valeria mais ser castigado, pois a injustiça é o maior mal da alma. Platão contra-atacou dizendo que a retórica visava a persuasão e não a verdade. Em seu diálogo Górgias, há o confronto entre retórica e filosofia.

Foi em Atenas, entretanto, que a arte oratória encontrou campo fértil para o seu desenvolvimento. Os sofistas foram os primeiros a dominar com facilidade a palavra; entre os objetivos que possuíam visando a uma completa formação, três eram procurados com maior intensidade: adestrarem-se para julgar, falar e agir. Os sofistas desenvolviam seu aprendizado na arte de falar, praticando leituras empúblico, fazendo comentários sobre os poetas, treinando improvisações e promovendo debates. Górgias, importante retor grego, transmitiu seus conhecimentos a muitos oradores, e um de seusdiscípulos, Isócrates, que viveu de 436 a 338 a.C., implantou a disciplina da retórica no currículo escolar dos estudantes atenienses. Isócrates ampliou o campo de estudo da oratória, não selimitando apenas à retórica, pois associou a ela boa parte da filosofia socrática, assimilada na época em que foi discípulo de Sócrates. Com todo esse mérito que a História lhe creditou, Isócrates apresenta uma interessante singularidade: nunca proferiu um só discurso, apenas estudou sua técnica e os escreveu. Isto porque sua voz era deficiente para a oratória e alimentava pavor incontrolado pela tribuna.

Nesta mesma época, século IV a.C., encontramos outro estudioso da retórica, Anaxímenes de Lãmpsaco, que apresentou grandes contribuições para a compreensão desta arte, principalmentequanto a sua divisão. Suas observações levaram-no a classificar a retórica em três gêneros: deliberativo, demonstrativo e judiciário. Esta classificação foi aproveitada e estruturada objetivamente por Aristóteles. Aristóteles, discípulo de Platão, dele recebeu ensinamentos por largo período, cerca de vinte anos. Platão guardava grande admiração pelo discípulo, tanto que, quando este não compareceu a uma das reuniões que se faziam na Academia, o mestre afirmou: “A inteligência está ausente”.Nascido em 384 a.C., em Estagira, antiga colônia jônica da Calcídica de Trácia, Aristóteles foi para Atenas com dezessete anos, a fim de completar seus estudos. Considerado o mais importante filósofo da Antiguidade, abraçou praticamente todas as matérias, destacando-se como político, moralista, metafísico, além de ter penetrado com profundidade nos estudos das Ciências Naturais, da Psicologia e da história da Filosofia. Os Tópicos, um dos tratados reunidos com os trabalhos lógicos na sua obra Organon, serviu-lhe de alicerce para escrever a Arte Retórica, composta de três livros, a mais antiga que chegou aos nossos dias. O livro primeiro contém quinze capítulos e é destinado à compreensão daquele que fala. Refere-se à linha de argumentação utilizada pelo orador de acordo com a receptividade do ouvinte. O livro segundo contém vinte e seis capítulos e é destinado à compreensão daquele que ouve. Refere-se aos aspectos emocionais, e aborda a linha de argumentação sob a ótica do ouvinte. O livro terceiro contém dezenove capítulos e é destinado à compreensão da mensagem. Refere-se ao estilo e à disposição das partes do discurso. A retórica de Aristóteles é uma obra do verossímil, aplicando não aquilo que é, mas aquilo que o público supõe possível. Segundo seu pensamento, a retórica é a faculdade de ver teoricamente o que, em cada caso, podeser capaz de gerar a persuasão. Também Aristóteles não foi orador, dedicando-se apenas ao estudoe ao ensino da oratória, sem proferir discursos. Outro grego que não possuía o dom da palavra foi Demóstenes, mas ele não se conformou com as barreiras impostas pela natureza e à custa de muita dedicação eliminou suas deficiências e se transformou no maior orador que a Grécia conheceu. Assim tivemos em Demóstenes um aplicador das regras estabelecidas para a arte de falar, iniciadapela praticidade de Corax, ampliada pela engenhosidade artística de Isócrates, e aprimorada pelavinteligência de Aristóteles, que soube associar a prática do primeiro com a elevação do pensamentodeste último, transformando as duas disciplinas, oratória e retórica, numa arte admirável.

OS ROMANOS

Os romanos sofreram extraordinária influência cultural dos gregos no século II a.C., inclusive na arteoratória. Houve resistência em diferentes períodos a que isto ocorresse, chegando ao ponto de umcensor, Crasso, decretar o fechamento de todas as escolas que ensinavam a arte de falar. Essa
atitude drástica não arrefeceu o interesse daquele povo, que passara a gostar muito do estudo e daprática da oratória; assim que Crasso partiu, as escolas foram reabertas e freqüentadas com entusiasmo. Cícero foi o maior orador romano. Nascido no ano 106 a.C., preparou-se desde muito cedo para aarte da palavra. Com apenas dez anos de idade, seu pai o deixou aos cuidados de dois mestres daarte oratória. Aos quatorze anos iniciou seu aprendizado retórico na escola do retor Plócio e já aos dezesseis anos abraçou a prática da arte de falar, observando os grandes oradores da sua época, que se defrontavam nas assembléias do fórum. Sua produção literária sobre a oratória foi abundante, destacando-se: De Oratore, obra em três livros em forma de diálogo, onde define o orador e faz uma revisão da retórica tradicional; Orator, páginas destinadas a determinar uma espécie de perfil do orador ideal; Brutus, um diálogo sobre a história da arte oratória e dos oradores de Roma; Oratoria e Partitiones, uma obra didática que cuida da divisão sistemática e da classificação da retórica e aborda a invenção, que é a ação de achar argumentos e razões para convencer e persuadir; Tópicos, escritos sem consultas, de memória, no prazo de oito dias, durante uma viagem que fez à Grécia. Trata-se de uma compilação dos Tópicos de Aristóteles. Embora considerado um orador perfeito, escritor admirável, e dotado de inteligência invejável, Cícero foi um homem sem caráter, arrogante, vaidoso e prepotente. Na política não se valia de escrúpulos para estar ao lado do partido mais forte e mudava de ideal sempre que vislumbrava maior glória e poder. O mais destacado orador latino da História teve morte horrível. Perseguido pelos homens de Marco Antonio, foi morto e depois degolado. A mão direita e a cabeça ficaram expostas no fórum romano e sua língua foi espetada e exibida ao povo. Depois de Cícero, merece atenção especial na história da Arte Oratória romana Quintiliano. Nascido na metade do primeiro século da nossa era, na Espanha, foi para Roma logo nos primeiros anos devida para estudar oratória. Seu pai e seu avô foram reitores e o pai lhe ministrou as primeiras aulas de retórica. Quintiliano teve o grande mérito de reunir em sua obra, Instituições Oratórias, todo o conhecimento desenvolvido pelos autores que viveram até sua época. Composta de doze livros, esta grande fonte da oratória desenvolve a educação do orador desde a sua infância, dentro de um programa detalhado para a formação pedagógica. O livro I trata da educação inicial a cargo do gramático e, em seguida, do reitor. O livro II cuida da definição da retórica e expõe sua utilidade. Os livros de III a VII abordam os itens da invenção ou descoberta, e da disposição ou composição. Os livros de VIII a X, da elocução ou enunciação. O livro XI trata da realização do discurso e focaliza os elementos referentes à memória. Finalmente o livro XII orienta o orador na aquisição de cultura geral e apresenta as qualidades morais exigidas daquele que se propõe a falar.
A partir de Quintiliano poucas obras de importância relevante foram apresentadas. Os autores 
procuraram quase sempre orientar-se nas observações estabelecidas nos doze livros das Instituições Oratórias e nos estudos anteriores. Os que procuraram ingressar em caminhos diferentes daqueles percorridos pelos grandes mestres praticamente nada acrescentaram.
É muito importante conhecer a história da oratória mas o mais importante é sabermos que a oratória pode mudar a nossa história.

 

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