Obama e o seu legado na oratória

É inquestionável a habilidade e oralidade singular de Obama que na última década o apoiaram de forma deslumbrante para avançar em suas políticas. Em sua estratégia de final de mandato, Obama usará menos o telepronter e mais a tela, ou seja ele falará mais de “improviso” para se aproximar das pessoas e deixar um legado. Lembrando claro que essa fala de improviso, diz mais respeito a forma do que o conteúdo, pois mesmo um homem que se destaca pela sua comunicação pode ser traído pela falta de preparação que alguns insistem em chamar de improviso. “Ele quer falar menos para o povo e falar mais com o povo”, explicou a diretora de Comunicação da Casa Branca, Jen Psaki, referindo-se à nova abordagem que será adotada pelo presidente em seu último ano de mandato.

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Certamente, haverá mais discursos e mais retórica elevada, mas Obama pretende fazer uso de mais conversas e reuniões em grupo para transmitir sua mensagem e se aproximar das pessoas.

 

Poucas pessoas em sua posição teriam envergadura para tal proeza, pois o risco de uma pergunta constrangedora ou a abordagem de um tema espinhoso é muito grande, mas sua habilidade intelectual com certeza farão estes debates muito ricos, sem contar a preparação intensa que o mesmo está se submetendo para tal.

O ponto de partida no dia 12 de janeiro foi Louisiana, onde ele conversou diretamente com eleitores, a respeito de seu discurso sobre o Estado da União pronunciado.

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É pouco provável que o Congresso controlado pelos republicanos permita que suas propostas sejam mais do que retórica. Além disso, as políticas presidenciais já não têm o mesmo peso executivo, a menos que sejam apoiadas por uma ameaça de ação unilateral.

A realidade política limita Obama e, ao mesmo tempo, os candidatos à presidência desviam a atenção para outros temas.

“O perigo para um presidente em seu último ano de presidência, com o Congresso controlado por outro partido, é que se torne irrelevante”, opinou a professora de Comunicação Kathleen Hall Jamieson, da Universidade da Pensilvânia.

A Casa Branca quer manter Obama como figura relevante, mudando os termos do debate.

Jen Psaki mencionou um recente debate transmitido pela televisão sobre controle de armas como um exemplo do que está por vir.

“Ele (Obama) falou para um número de pessoas que tinham fortes divergências com ele, e isso é algo que ele nos disse que quer fazer mais”, relatou a assessora.

“Ele sabe que ajudar a facilitar esse diálogo é um papel que pode cumprir como presidente”, completou.

Ao descer do púlpito e se aproximar do público, Obama será capaz de enquadrar melhor o debate sobre controle de armas, ao apresentar novas linhas de argumentação de uma forma mais atraente, avalia Hall Jamieson.

“Acho que é importante retoricamente. Acho que mudou os termos do debate”, avalia a acadêmica.

 

Se as próximas trocas forem igualmente atraentes, “ele receberá a cobertura informativa que destacará sua agenda”, acrescentou a especialista. “É uma forma de preparar o terreno para torná-lo mais acolhedor para um Congresso democrata e um presidente democrata”, insistiu. Apesar de ser um tema muito discutido em meio a uma campanha eleitoral ultrapartidarizada, o debate sobre controle e posse de armas televisionado recentemente também se destacou por sua civilidade.

Isso dá à Casa Branca um contraste muito útil frente à grandiloquência do candidato republicano Donald Trump e também pode funcionar, para Obama, como uma última tentativa de cumprir sua promessa de campanha para atenuar o partidarismo.

“É um dos poucos remorsos da minha presidência que o rancor e a suspeita entre os partidos tenha piorado em vez de melhorar”, disse Obama em seu discurso sobre o Estado da União na terça-feira, no Congresso, acompanhado por pelo menos 31 milhões de telespectadores.

“Não tenho dúvida de que um presidente com os dons de Lincoln, ou Roosevelt teria administrado melhor as diferenças”, reconheceu.

Embora o objetivo não seja pôr fim à Guerra Civil, ou presidir uma onda de definições legislativas, Obama pode oferecer um modelo de debate, acredita a professora de Comunicação Kathryn Olson, da Universidade de Wisconsin-Milwaukee.

“Ele tem de conseguir que as pessoas falem. Isso será necessário – mas não suficiente – para qualquer mudança neste país”, advertiu a acadêmica.

“Mostrar as pessoas falando entre si, incluindo ele ouvindo e falando com o povo, é importante, talvez seja sua melhor oportunidade de marcar a diferença”, completou Kathryn.

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